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O reflexo no espelho é realmente você?

Foto do escritor: Caroline Demolin
Caroline Demolin
há 11 minutos
3 min de leitura

Nem sempre a imagem que enxergamos refletida no espelho é real.



No final da década de 70 e início de 80 a psicologia abriu-se para uma nova abordagem voltada para a autoimagem. Prescott Lecky foi um dos pioneiros no estudo desse conceito de Psicologia da Autoimagem. O cirurgião plástico Maxwell Maltz (1981) desenvolveu o conceito de psicologia da autoimagem de Lecky através de associações feitas entre a cirurgia plástica e a psicologia. O despertar da relevância do tema se deu pelo fato de nessa época, quando começou o boom das cirurgias plásticas estéticas, vários médicos observarem o fato de que pacientes que haviam passado por intervenções estéticas bem-sucedidas retornavam ao consultório queixando do mesmo incômodo inicial e que havia sido solucionado com a cirurgia.


Após estudos, chegou-se à conclusão que o fato gerador do incômodo realmente havia sido resolvido, o que continuava a causar desconforto era na verdade um “gap” entre a imagem real projetada e a imagem percebida. Ou seja, havia uma clara distorção na percepção da pessoa sobre si mesma.

Na maioria das vezes, a sensação desagradável não provinha de um elemento estético do rosto ou do corpo que pudesse parecer inadequado, desproporcional ou mesmo feio. O sentimento vinha de outras razões bem mais profundas como o conceito que a pessoa tinha de si mesma e que alteravam a visão da própria imagem, que nublavam ou distorciam a mesma.


 O olhar que temos sobre nós mesmos é um olhar cheio de vícios. Uma visão carregada de conceitos que na maioria das vezes vieram do ambiente externo, de observações feitas por outras pessoas, de cobranças, de julgamentos e de projeções, que se nos encontram em um momento de maior fragilidade nos tocam ainda mais profundamente, na maioria das vezes sem muito embasamento com muita emoção misturada e sem racionalidade. Segundo a Programação Neuro-linguística são nessas situações que se formam as crenças limitantes.


E vamos acumulando tudo isso dentro de uma “mala” que quando olhamos para nós mesmos toda essa carga se mistura com quem somos realmente ficando difícil de discernir o que é cada coisa e ver a realidade.


O que trago desse breve relato que fiz para a Consultoria de Imagem é que o trabalho para ser efetivo, para proporcionar autoestima, segurança, confiança e impactar positivamente em vários campos da vida do ser humano ele precisa atuar muito além do aspecto estético. Ele precisa começar de dentro para fora.

Não adianta apenas trabalhar a superfície, é necessário ter profundidade para fazer um alinhamento entre a imagem real, a imagem projetada e a idealizada.


É fundamental entender como a pessoa se vê, qual o conceito ela tem de si mesma, como ela se enxerga perante o mundo. Entender o lugar que ela ocupa hoje é o ponto de partida para traçar a rota para levá-la aonde ela quer chegar.


Um traço analisado separadamente pode ter uma conotação, o mesmo traço se considerado dentro de um contexto social, cultural e principalmente se vista a correlação com as características de personalidade, pode mudar totalmente a sua significação para a pessoa.


Os padrões estéticos disseminados impulsionam a uma generalização se tornando mais um peso a ser carregado. Despertar o indivíduo para uma consciência mais crítica é fundamental.

O alinhamento de uma imagem precisa levar em consideração todas essas questões e proporcionar à pessoa um novo olhar sobre si mesma. Precisa quebrar paradigmas, questionar padrões e criar novas perspectivas para o ser.


O roteiro é único, cada um tem seu ponto de partida e o seu destino almejado, mas além disso existe o ritmo de cada pessoa, a velocidade em que ela vai percorrer esse trajeto, seus pontos de parada, porque o caminho é tão importante quanto o destino.

 

Caroline Demolin

Consultora de Imagem e Estilo

 
 
 

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